terça-feira, 6 de julho de 2010

A BEIRA DO CAMINHO




E depois foram para Jericó. Quando Ele Saía de Jericó, juntamente com os discípulos e numerosa multidão. Bartimeu, cego e mendigo, filho de Timeu, estava assentado à beira do caminho. Marcos 10.46

O texto do evangelho de Marcos capítulo 10, narra a historia de mais um dos milagres de Jesus, mas o que nos impulsiona a refletir sobre essa passagem, é o fato de que alguém além de receber sua vitória, ou seja, uma cura como foi o caso desse cego chamado Bartimeu. Traz-nos algumas lições que podemos apresentar; como fé, determinação, persistência e esperança.
Fazendo a diferença, Bartimeu, era mais um dos variados cegos que existiam na época de Jesus, e mendigava a beira do caminho. Assim como os demais, Bartimeu era um homem marcado por sua deficiência, que carregava sobre si, além da capa, a limitação. Apesar da similaridade com os demais, Bartimeu foi um dos poucos cegos que se tornou biblicamente conhecido. Isto porque um dia teve um encontro com Jesus, que transformou a historia de sua vida. Apesar da multidão que o repreendia, persistiu, rompeu os empecilhos, que bloqueavam a sua benção. Sua certeza foi um exemplo de fé, como já mencionamos. Todos os únicos bens relatados que ele possuía era uma capa. No entanto, observamos no decorrer do texto, que ele lançando de si sua capa, levantou-se e foi ter com Jesus. Observe que ele ao ouvir que Jesus passava por ali se pôs a clamar,
Analisando as atitudes desse homem, me leva a entender que ele apesar de pobre, deficiente visual, ele ouvira falar de Jesus, acerca dos milagres que Jesus realizava com seu poder. Observe que Bartimeu soube priorizar a oportunidade, com que estava se deparando, como se fosse à única da sua vida, quem sabe? Um homem de decisão é isso que o Senhor espera de nós, no nosso cotidiano, ou seja, Ele espera que ao ouvir a sua palavra, sejamos rápidos e oportunos, como se não houvesse amanhã. Outro fato importante, Bartimeu, já que não podia ver, utilizou mais um recurso para obter resultado sobre o seu desejo de chamar atenção do Senhor, ou seja, podia falar, clamar por ajuda, nem tudo estava perdido, a esperança estava passando por ali. Clamando em alta voz, como narra em algumas versões da bíblia. Imagine ele naquela situação, carente como os demais daquela multidão que acompanhava Jesus, clamando e sendo repreendido por aquelas pessoas, Bartimeu representa os que crêem sem ver. Em relação à multidão, muitos enfermos e muitos especuladores estavam presentes naquele local, mas o seu clamor, a sua certeza e confiança que Jesus ia lhe ouvir e lhe atender a sua necessidade. Conforme (Mc 10.49), está escrito que Jesus parou e disse: Chamai-o. Chamaram o cego, dizendo-lhe: tende bom ânimo; levanta-te, Ele te chama. Essas expressões significavam dizer, Bartimeu, você conseguiu, Ele lhe deu atenção, quando ninguém lhe olhava, quando todos lhes repreendiam. A bíblia diz que Ele parou. Caro leitor, Jesus parou para um pedinte, um deficiente, ou seja, como a sociedade capitalista e egocêntrica ver, um ninguém (uma pessoa que não tem valor). Ele não nos vê assim, Ele ouve o nosso grito de socorro, de dor, de desespero. Ele ouve o nosso brado de desejo de liberdade, a nossa alma clamando por um milagre, uma mudança, um acontecimento diferente. Lemos em (Mt 11.28), um convite aos que estão cansados e sobrecarregados, encontramos alívio e descanso para nossas almas nas palavras de Jesus. No entanto, é obvio que Bartimeu, não possuía bens, apenas uma singela capa, capa essa que dava direito aos mendigos para pedir esmolas, capa que lhe protegia do frio da noite, do sol durante o dia, que lhe servia de colchonete para seu descanso, capa que lhe destacava como um pedinte diferente a porta de Jericó, pois na verdade as pessoas não se interessavam em saber seu nome.
Era mais um anônimo que procuravam chegar-se até Jesus, mas não fisicamente e sim pela fé, no que ouvira de Jesus, pois a fé vem pelo ouvir, ouvir a palavra de Deus (Rm 10.17). Então se desprendeu de sua capa lançando de si, e foi ter com Jesus, sendo preciso em sua resposta ao que o mestre lhe perguntou, respondendo-lhe; que eu torne a ver. Observe que ele outrora já havia enxergado. Ou seja, possuía sua visão perfeita, Conforme pesquisas, nos fornecem algumas informações sobre a historia narrada que justificam a referência forte paterna. Timeu foi um general, que servia a Israel no destacamento de Betel, e que ao aposentar-se se tornou um homem bem sucedido na região. Quando o domínio do império romano aconteceu, seus bens foram confiscados, o saldo da aposentadoria cortado. Então Timeu, tornou-se um revoltoso. Liderou várias sedições e que se moviam na direção de desestabilizar o governo romano na região. Identificado pelo império romano como uma pessoa perigosa aos seus objetivos, Timeu foi perseguido, preso e morto crucificado por causa das suas sedições. Por sua vez, mandaram arrancar os olhos de Bartimeu após a morte de seu pai, para evitar que se tornasse um revoltoso ainda mais perigoso do que foi seu pai.
A expressão tornar a ver, também representa-nos os que já creram e agora já não crêem mais. Algo bloqueou a sua visão, de tal forma que ao ouvirem alguém falar acerca da salvação, da misericórdia e dos milagres de Deus, eles não se mobilizam, continuam inertes em suas atitudes e decisões. Permanecem à beira do caminho, embora não consigam mais visualizar a salvação para sua vida, também não conseguem clamar por socorro, pedir ajuda demonstrar fé.
Não diferente daquela época, hoje existem muitos que mendigam à beira do caminho. Talvez não usem capas e não sejam cegos fisicamente, como era Bartimeu, mas vivem a beira do caminho. Não necessariamente do caminho das ruas e avenidas, mas do caminho de Deus. Muitos conhecem a palavra, freqüentam alguns cultos, simpatizam com os louvores e até se intitulam cristãos, porém, na verdade, estão apenas a beira do caminho. “Na beira da verdade”. Na beira da vontade de Deus para suas vidas. Esses, não entrarão no caminho de fato, isto é, não assumiram verdadeiramente um compromisso com Cristo, que é o caminho, a verdade e a vida, e não deixaram a “velha estrada”, mas permanecem apenas na beira, observando pessoas se convertendo, sendo abençoadas, crescendo na fé, sendo enviadas, enfim, sendo trabalhadas por Deus, porém sem testemunhar nenhum acontecimento muito diferente em suas próprias vidas. Tais pessoas, que apenas estão na beira do caminho, precisam urgentemente, assim como Bartimeu, de um encontro real com Cristo. Para essas pessoas, não basta apenas ouvir falar de Cristo ou observa-lo de longe, mas necessitam de um encontro. Um encontro tão verdadeiro, que seja capaz de mudá-los, assim como Bartimeu foi mudado. Bartimeu teve sua vida transformada, porém isso só aconteceu porque ele reconheceu a grandeza do Senhor e clamou com toda sua alma “Jesus, filho de Davi, tenha compaixão de mim”, e Jesus não lhe negou o socorro. Da mesma maneira, quando reconhecemos diante de Deus sua grandeza, bem como as nossas fraquezas e necessidades, Ele nos ouve e ajuda conforme a grandeza de sua misericórdia. Deus quer mais do que fazer-nos freqüentadores de cultos ou filhos de crentes, Ele quer nos tornar seus filhos íntimos. O Senhor não quer que vivamos a sombra do ministério de alguém ou dos sonhos que não são nossos, mas Ele quer que vivamos os nossos próprios sonhos e nosso próprio chamado, conforme Ele já designou para nós. Quem fica a beira do caminho não vai a lugar nenhum, fica estático e apenas observa os acontecimentos na vida alheia. Quem está à beira do caminho não pode desfrutar das bênçãos de estar “no caminho”... Deus quer que vivamos “no caminho”. E que passemos de expectadores a participantes da graça, ao contrário de estarmos parados, prossigamos rumo aos céus, que Ele carinhosamente preparou para os que perseverarem no caminho até o fim.
“Quando te desviares para a direita e quando te desviares para a esquerda, os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: Este é o caminho, andai por ele.” Isaías 30.21

Autor : Moab Soares de Lima

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